terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Banco médio encara custo de capital mais elevado

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Ter, 28 de Dezembro de 2010 14:54

PanAmericano, aumento de compulsório e maior requerimento de capital para a concessão de crédito à pessoa física em operações com prazo superior a 24 meses. Essa combinação de eventos, concentrada no último bimestre de 2010, acabou por compor um cenário delicado para os bancos de pequeno e médio porte nessa virada de ano. Enquanto as cessões de carteira começam a ser retomadas, mesmo que num nível inferior ao que se observava antes da capitalização do banco do Grupo Silvio Santos, o custo de captação subiu de uma forma mais estrutural. As taxas do Certificado de Depósito Bancário (CDB), que antes oscilavam entre 105% e 108% do CDI, agora batem os 110% do referencial. A colocação de cotas de fundos de recebíveis, que tem como público alvo tradicional os investidores institucionais, ainda está travada.

O enxugamento por meio do compulsório, promovido recentemente pelo Banco Central (BC) e que vai tirar de circulação R$ 61 bilhões, diminuiu a quantidade de recursos disponíveis para aquisição de carteiras. Com menor disposição de fundos de pensão, seguradoras e assets para comprar títulos de longo prazo o dinheiro ficou naturalmente mais caro. O resultado é que algumas instituições reduziram o ritmo de concessão num período do ano que costumava ser de franca oferta.

Nesse ambiente, o instrumento de captação mais usado pelas instituições tem sido o CDB, em detrimento da própria cessão de crédito e do Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE), segundo o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.

Mesmo assim do início de novembro para cá, as emissões de DPGE somaram R$ 1,853 bilhão, até o dia 21, com incremento de quase 40% em relação ao período entre setembro e outubro completos, quando as colocações desse instrumento já haviam dado um salto de 89,3%, saindo do patamar de R$ 459,2 milhões (setembro) para R$ 869,5 milhões em outubro, segundo dados da Cetip. A data coincide com o início da investigação das carteiras do PanAmericano pelo BC, mas quando a intervenção ainda não era pública.

Segundo o gerente de desenvolvimento de produtos da Cetip, Ricardo Magalhães, a demanda se acentuou um pouco, mas não é nada que salte aos olhos e indique uma situação fora da normalidade. "O DPGE vem cumprindo o objetivo de permitir 'funding' para as instituições menores. Para o diretor comercial da clearing, Carlos Ratto, assim como as grandes instituições, os bancos menores também já se preparam para emitir Letras Financeiras (LF), especialmente após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) normatizar a distribuição pública e o BC extinguir o compulsório desse ativo. "O apelo é grande, tanto que o estoque, em R$ 27 bilhões, superou as estimativas de R$ 20 bilhões de abril, quando as letras foram criadas, e já superaram o volume do DPGE, em R$ 19,1 bilhões."

Após as festas de fim de ano, à medida que os balanços de 2010 das instituições sejam divulgados, a expectativa é de melhoria e retorno à normalidade da captação, diz Oliva. "O mercado está bem melhor do que esteve algumas semanas atrás."

Oliva lembra que, logo após o episódio do PanAmericano, houve uma descontinuidade nas relações de confiança dos bancos com os investidores qualificados. "Com os passar das semanas, esse vínculo vem se restabelecendo graças aos esforços dos bancos em demonstrar a retidão e a correção de seus processos internos relacionados às cessões de crédito."

De fato, muitos bancos de médio porte têm se esforçado em dar mais acesso a informações gerenciais e alguns deles têm contratado até auditorias para avaliação das operações de cessão realizadas há 12 ou 24 meses.

Com 65% da captação originada na venda de carteiras e como um dos primeiros do mercado a usar esse tipo de estrutura, lá em 2004, o mineiro BMG acaba de apresentar aos investidores o resultado do trabalho batizado como "asseguração", feito pela PWCem seus sistemas de controle de cessão de crédito. "Ele foi montado em cima dos nossos manuais internos de cessão de crédito e a Price apenas assegurou o que o banco vendia, refinanciava, o crédito que trocava e que o resultado que apurava estava efetivamente reconhecido", diz o diretor financeiro, Ricardo Gelbaum. "As práticas de cessão foram reconhecidas como executadas com maestria." Com o estudo em mãos, o banco pôde apresentá-lo aos bancos que usualmente fazem aquisição de carteiras, aos investidores institucionais e também às agências de rating.

O Bonsucessofoi outro que acertou há um mês com a PWC, empresa que já faz auditoria externa para o banco, para auditar a cessão de carteiras. "Sempre tivemos o costume de chamar os bancos cessionários [que compram os créditos] para fazer 'due diligence' nas nossas carteiras, mas ter a cessão auditada oferece ainda mais conforto", diz Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do banco.

A tendência de contratação de auditoria para operações de cessão de crédito por parte dos bancos de médio porte vem também sendo observada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que financiou R$ 2,5 bilhões para o Grupo Silvio Santos cobrir o rombo encontrado no banco PanAmericano. "Temos recebido várias cartas de auditores", conta Gabriel Jorge Ferreira, presidente do FGC. "Foi uma providência salutar para restabelecer as operações no mercado", diz ele, ressaltando a condição de normalidade dos negócios, hoje. O FGC tem cerca de R$ 1,7 bilhão de carteiras de crédito em estoque. Durante a crise, esse volume chegou a bater R$ 8 bilhões.

Outras iniciativas estão sendo estudadas para desobstruir o caminho dos bancos médios e injetar mais liquidez no mercado. Oliva, da ABBC, conta que as principais associações de bancos e instituições financeiras cedentes - Acrefi, Anef e Abel, além da própria ABBC - juntaram-se à principal associação de cessionários (Febraban) e estão trabalhando para construir as bases da Central de Ativos de Créditos Cedidos. O objetivo da central é conferir mais transparência às cessões, à medida que as transações passem a ser registradas. Estima-se que o mercado de cessão de crédito movimente, por ano, de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões.


Fonte Valor - Adriana Cotias e Aline Lima - http://www.valoronline.com.br

Estratégias de marketing podem ajudar a equilibrar as contas da empresa?

Estratégias de marketing podem ajudar a equilibrar as contas da empresa?

Embora muitas vezes seja encarado como despesa, o marketing pode ser um importante aliado para as finanças do seu negócio

Editado por Daniela Moreira, de EXAME.com
É possível usar o marketing para ajudar a equilibrar as contas da empresa?
Respondido por Márcio Iavelberg, especialista em finanças

São Paulo - Freqüentemente, o marketing é visto como despesa dentro das empresas. Mas, na verdade, ele pode ser um importante aliado para ajudar a equilibrar as contas, especialmente em um momento de crise.

Manter um alto padrão de qualidade no atendimento ao cliente é sempre fundamental, mas torna-se ainda mais importante se sua empresa passa por um momento delicado.

Os donos e altos executivos têm que se aproximar o máximo possível dos clientes para entender suas necessidades de produtos e serviços.

Se o seu negócio não está indo bem, é hora de analisar a fundo o que está dando certo no concorrente. Esta estratégia pode ajudar a tirar sua empresa do vermelho. Avalie cuidadosamente os preços de seus produtos – comprando-os aos do concorrente – e considere a possibilidade de reajustes.

Olhar para fora também pode indicar caminhos ainda não explorados pela sua empresa. Investigue produtos e serviços similares para identificar novos mercados. Por fim, administre com atenção e cautela o seu budget de propaganda.

2010 foi ano favorável para pequenas, diz Sebrae

2010 foi ano favorável para pequenas, diz Sebrae

Ambiente favorável gerou círculo virtuoso para PMEs, mas os juros altos e a substituição tributária ainda são obstáculos a superar

Tecris de Souza, da Agência Sebrae de Notícias
Brasília - O País cresceu e distribuiu renda, favorecendo o surgimento de novas oportunidades e a melhoria do ambiente para os pequenos negócios. A avaliação é do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, ao fazer um balanço de 2010 e constatar que foi um ano positivo para as micro e pequenas empresas.
De acordo com o executivo, os indicadores macroeconômicos também apresentaram uma situação positiva neste ano. Mas é preciso rever os juros, que ainda continuam elevados e, principalmente, a substituição tributária, que se agravou e comprometeu a competitividade de muitas empresas de pequeno porte em alguns estados.

 “Quando o País cresce, há mais possibilidades de negócios e de emprego, as empresas faturam mais e mais negócios se formalizam. Há mais inovação, mais acesso à informação, mais empresas com mais valor agregado em todo o País", diz.

Segundo ele, as micro e pequenas empresas estão coladas no conjunto da economia, que cresceu em torno de 7% neste ano. Esse desempenho favorece um círculo virtuoso de mais emprego, mais renda, mais negócios e, assim, sucessivamente. Nos últimos anos, o País gerou 15 milhões de empregos e, com isso, mais cidadãos tiveram acesso ao consumo, intensificando as vendas do comércio e a prestação de serviços.

Conforme Okamotto, esse desempenho também impacta positivamente a informalidade.“Mais automóveis adquiridos significa mais serviço para os lavadores de carro, por exemplo”, explica ao destacar que ainda falta informação e conhecimento para que se possa entender melhor a economia informal no País.

A melhoria do ambiente para as micro e pequenas empresas também permitiu que esse segmento fosse o grande empregador de mão-de-obra, respondendo por 52,3% do emprego formal no Brasil. “Essa condição tornou o País capaz de combater a crise financeira”, destacou ao assinalar que sua expectativa é de continuidade do atual ritmo de crescimento econômico do País.

FGV: indústrias planejam aumentar uso da capacidade

FGV: indústrias planejam aumentar uso da capacidade

Cerca de 50% dos industriais desejam ampliar muito ou pouco o Nível de Utilização da Capacidade Instalada no primeiro semestre de 2011

São Paulo - A maioria dos empresários da indústria brasileira pretende aumentar o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) nos próximos seis meses. A conclusão faz parte da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação de dezembro, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Neste mês, a FGV incluiu uma pergunta sobre a tendência do Nuci para os próximos seis meses e sobre se os empresários pretendiam elevar a capacidade produtiva neste mesmo cenário.
De acordo com a pesquisa, 55% dos industriais responderam que desejam ampliar muito ou pouco o Nuci no primeiro semestre de 2011. Para 51% dos empresários da indústria de transformação, também será necessário investir na elevação da capacidade produtiva no primeiro semestre de 2011. Entre os setores nos quais a FGV divide a indústria de transformação para realizar a pesquisa, o mais otimista é o de material de construção. Neste setor, 86% preveem expandir o Nuci nos próximos seis meses e 72% pretendem investir no aumento de sua capacidade produtiva.

Em seguida, aparece o segmento de bens intermediários, para o qual 65% dos industriais esperam crescimento do Nuci e 60% responderam que investirão na capacidade produtiva no primeiro semestre. No setor de bens de consumo duráveis e não duráveis, 50% devem elevar o Nuci nos próximos seis meses e 52% querem investir na capacidade produtiva. O setor mais pessimista é o de bens de capital, uma vez que a maioria dos entrevistados prevê estabilidade no Nuci e na capacidade produtiva no primeiro semestre. Do total, 36% responderam que o Nuci deve aumentar nos próximos seis meses. Em relação a investimentos para aumentar a capacidade produtiva, 36% responderam que vão investir e 58% afirmaram que deve haver estável.

Em dezembro, o Nuci da indústria de transformação aumentou para 84,9% ante 84,5% em novembro. O resultado ficou praticamente igual ao da média de 2010 (84,8%). Entre os setores, o único que registrou elevação do Nuci em dezembro foi o de não duráveis de consumo, que passou de 80,4% em novembro para 82% em dezembro. O Nuci de duráveis de consumo recuou de 90,1% em novembro para 89 2% em dezembro. O de bens de capital, de 84,8% para 84,5%, e o de material de construção, de 90,4% para 90,3%. Por fim, o de bens intermediários passou de 86% para 85,9%.

Crédito

As medidas anunciadas pelo Banco Central (BC) para conter a expansão do crédito parecem não ter surtido efeito, segundo a maioria dos empresários consultados na Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV. A fundação consultou os empresários sobre o grau de exigência das instituições financeiras para a concessão de crédito para suas indústrias. Para 81%, o grau de exigência está moderado; para 11%, alto; e para 8%, baixo.

O resultado não difere dos divulgados nos últimos meses. Em novembro, 84% dos consultados responderam que o grau de exigência estava moderado. Para 10%, estava alto e para 6%, baixo. Para se ter uma ideia, em fevereiro de 2009, período em que os empresários brasileiros mais sentiram os efeitos da crise econômica global, 54% dos entrevistados responderam que o grau de exigência para a obtenção de crédito estava alto e apenas 3% disseram que estava baixo. "Em termos de exigências para a concessão de crédito, as medidas parecem não ter surtido efeito" disse o especialista em Análises Econômicas do Ibre, Jorge Braga.

Importados
A maioria dos empresários da indústria brasileira avalia que enfrenta maior competição de produtos importados em seu setor neste fim de ano em comparação ao que ocorria no período anterior à crise financeira internacional (setembro de 2008). A FGV incluiu uma pergunta na última Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação para avaliar o impacto da valorização do real em relação ao dólar nos diversos setores industriais.

Do total de 1.196 empresários consultados, 59% responderam que a competição aumentou em relação ao período pré-crise. Estes 59% representam a soma de duas respostas: 24% responderam que a competição aumentou muito e para 35%, aumentou pouco. Para outros 23% dos empresários, a competição externa se manteve estável, enquanto 1% respondeu que a concorrência externa diminuiu um pouco. E nenhum dos empresários consultados respondeu que a competição diminuiu muito. Outros 12% responderam que não há competição externa em seu setor de atuação e 5% não souberam ou não quiseram informar.

Entre os cinco setores, nos quais a FGV divide a sondagem, o maior número de empresários que apontou a concorrência foi o do setor de bens intermediários (celulose e insumos). Neste setor, 83% dos empresários responderam que a competição está mais acirrada do que no período pré-crise. Em seguida, aparece o setor de bens de capital, em que 73% dos empresários afirmaram que a competição está maior. No setor de bens de consumo duráveis, o índice foi de 68% e no de material para construção, 49%. O menor porcentual de empresários que reclamaram da competição externa foi no setor de bens de consumo não-duráveis, com apenas 23% de respostas.

Para Jorge Braga, o caso do setor de bens de consumo não-duráveis pode ser explicado pelo grande peso da indústria de produtos alimentícios neste segmento. De acordo com ele, esse foi o único setor em que o predomínio das respostas, ao contrários dos demais, foi totalmente diferenciado. A maioria (26%) respondeu que sua empresa não enfrenta competitividade externa.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Retrocesso do Banco UBS?

Banco UBS proíbe saias apertadas e lingerie colorida

Código de conduta de vestuário também restringe o uso de unhas pintadas com cores chamativas

EXAME/ Arquivo
Ex-executivos do UBS devolvem bônus

Com as regras, o banco suíço UBS está tentando resgatar sua reputação depois da crise de 2008 

São Paulo - Uma onda moralista invadiu o banco de investimentos suíço UBS. Com a finalidade de resgatar sua imagem, abalada com o impacto da crise financeira mundial de 2008, a empresa estipulou um código de vestuário bastante rígido para seus funcionários. O documento de 43 páginas estipula, por exemplo, que as mulheres usem apenas saias largas, que não fiquem muito apertadas na parte de trás.

Também há regras para as roupas íntimas, que precisam ser sempre da cor da pele, para que não possam ser vistas através ou para fora do traje. Jóias devem ser discretas e as unhas não podem ser coloridas. Tatuagens e piercings devem ser escondidos, uma vez que simbolizam falta de profissionalismo. Sapatos apertados também devem ser evitados, pois, segundo eles, “não há nada pior do que um sorriso tenso”. Para quem gosta de tingir os cabelos, nada de deixar as raízes naturais aparecerem e denunciarem a cor artificial dos fios.

Para usar terninho, o regulamento ordena deixar os botões da jaqueta sempre fechados enquanto a funcionária estiver de pé. Se ela estiver sentada, os botões devem ficar abertos. Retirar a jaqueta só é permitido em dias de muito calor e com a autorização do supervisor. Quem usa óculos precisa escolher armações discretas, pouco modernas e sem cores ou design chamativos.

Regras para homens
Os homens também receberam orientações de moda para freqüentar o trabalho. Uma delas é escolher gravatas cuja aparência combine com a “estrutura óssea” do rosto. Os blazers devem ser de corte reto e ter dois botões, e as calças precisam compor um terno profissional clássico. É proibido, ainda, deixar a barba por fazer e recomenda-se ir ao cabeleireiro a cada quatro semanas. O código estipula também que, tanto eles quanto elas devem evitar cheiro de perfume forte, cebola, alho e fumaça de cigarros.

Em comunicado, o banco justifica essas e outras normas ao afirmar que “a reputação do UBS é o nosso bem mais precioso. Portanto, adotar um comportamento irrepreensível implica ter uma apresentação impecável”. Inicialmente, as regras estão sendo implantadas em cinco agências na Suíça e, segundo o banco, os funcionários estão reagindo bem às normas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

6 lições de liderança de Muricy Ramalho para os executivos

6 lições de liderança de Muricy Ramalho para os executivos

Vencedor de quatro Brasileirões nos últimos cinco anos, o treinador do Fluminense pode ser uma inspiração para o mundo dos negócios

 
Daryan Dornelles/Placar
Muricy Ramalho, técnico do Fluminense

Muricy é líder "mão-na-massa"
São Paulo – “Quando o time está jogando bem, quando o time está com todos os seus jogadores em campo e não há nenhum tipo de problema, o técnico não tem nem que se meter muito, porque ele vai atrapalhar...”. Muricy Ramalho sequer conseguiu completar a frase, durante a entrevista coletiva dada após a conquista do título de Campeão Brasileiro de 2010 pelo Fluminense. Interrompido pelos gritos de “É campeão!” dos jogadores do clube, o técnico levou literalmente um banho de seus alunos, em um agradecimento bem-humorado pela vitória.
Com um extenso currículo de vitórias, Muricy venceu quatro dos cinco últimos Campeonatos Brasileiros (três pelo São Paulo – 2006, 2007 e 2008 - e o mais recente pelo Fluminense) e quase foi o substituto de Dunga na Seleção Brasileira. Mesmo depois de um desempenho aquém das expectativas no ano passado, no Palmeiras, Muricy não desistiu e teve mais uma vitória em 2010. Longe dos estádios, algumas de suas características de liderança podem ajudar gestores e executivos a alcançar cada vez mais resultados. O consultor e professor do curso de Gestão e Recursos Humanos da Veris faculdades, do Grupo Ibmec, Cristiano Rosa, enumera algumas lições que os líderes podem aprender com o técnico. Confira.

Ter ambição e saber tomar decisões

Quando foi contratado pelo Palmeiras, em julho de 2009, Muricy era a grande promessa do clube para ganhar o Brasileirão. Apesar das apostas, sua trajetória deixou a desejar, foi demitido, mas nada tirou sua vontade de vencer. Movido por uma grande ambição, o treinador seguiu em frente e assumiu um compromisso com o Fluminense: resgatar o clube quase rebaixado no Campeonato do ano passado e
torná-lo vencedor. Conseguiu.

Adequar-se à cultura da empresa

A persistência de Muricy foi decisiva na vitória, mas não só ela. O professor Cristiano Rosa considera que seu sucesso no São Paulo e no Fluminense se deu por uma identificação do técnico com a cultura dos dois clubes. “A cultura do São Paulo é muito semelhante à cultura do Fluminense. Até mesmo as torcidas dos dois times se apoiam. Acredito que ele não conseguiu entregar os resultados no Palmeiras porque não se adequou à cultura do clube”, afirma. Essa adaptação à empresa é, segundo o professor, imprescindível para que a equipe renda bons resultados. Não importa o quanto o líder é eficiente, sem sintonia com a cultura, não há sucesso.

Saber honrar contratos

Todo técnico de futebol sonha em ser o treinador de uma seleção de seu país, e Muricy esteve bem perto de realizar essa vontade. Depois do fracasso da Copa do Mundo deste ano, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mostrou interesse em convidar o técnico do Fluminense para liderar a seleção. Vendo a possibilidade de perder um grande profissional, o clube negou a liberação de Muricy, que acatou a decisão e preferiu manter seu contrato. “Essa é uma importante lição para os executivos. É preciso saber respeitar os contratos. O Muricy também foi ético, pois poderia pedir para algum patrocinador pagar a multa de rescisão. Mas continuou no clube mesmo assim”, diz o professor Cristiano Rosa.

Saber selecionar e trabalhar com os melhores

Um grande líder precisa saber enxergar onde estão os melhores talentos – tanto os destaques, quanto os que estão menos evidentes. O professor Rosa chama a atenção para as mudanças promovidas por Muricy durante sua trajetória no Fluminense, inclusive a contratação do atacante Washington (ex-São Paulo), que teve participação decisiva no gol da vitória deste domingo (05/12). Para o professor, assim como no futebol, os executivos precisam ir ao mercado para buscar os profissionais certos, que vão fazer a diferença. “Não é ter um Neymar na equipe, mas vários profissionais que conseguem entregar o resultados”, afirma.

Ser líder participativo

Uma postura envolvida com o trabalho é outra lição dada pelo técnico do Fluminense. Definido por Cristiano Rosa como um líder “hands on”, Muricy é o típico profissional mão-na-massa, que se envolve, sua, grita, batalha com a equipe para chegar ao resultado. “Ele é o líder participativo de hoje. Não é do tipo de ficar na mídia, dando palestra. Ele está lá jogando também”, diz. Essa forma de trabalhar, segundo o professor, envolve a equipe e ajuda a moldá-la à cultura de dar resultados no dia-a-dia e não apenas na hora decisiva do jogo. “O meia Conca, por exemplo, é o melhor jogador do Brasil hoje e nem é brasileiro. É argentino. O Muricy fez o jogador entrar na cultura de ‘entregar no dia-a-dia, para a equipe”.

Ter estratégias internas mais críticas

Para Cristiano Rosa, os executivos devem aprender com Muricy a ter uma postura mais crítica e menos “florida”. Caracterizado por sua autenticidade e naturalidade, embaladas por um certo e já famoso mau humor, o técnico não se preocupa com agrados ou bajulações da mídia, o que o leva a ter uma imagem de mal-educado. Essa maneira de agir pode servir de inspiração para os gestores. “Ele não é um vendedor de estratégia externa, é uma pessoa crítica e não se importa muito com as opiniões de fora. No nosso meio corporativo, há muitas flores; os gestores se preocupam muito com a aparência, mas entregar os resultados que é bom, nada”, afirma.