quinta-feira, 10 de março de 2011

O lado gestor de empresas de Warren Buffett

Em entrevista a EXAME.com, Mary Buffett, ex-nora de Buffett autora do livro “Faça como Warren Buffett”, fala sobre o estilo de administrar empresas do megainvestidor

São Paulo - Apesar de ser lembrado quase sempre por sua grande capacidade de investir e multiplicar fortunas, Warren Buffett, fundador da Berkshire Hathaway, tem um lado gestor de empresas que também pode inspirar outros executivos. Com um perfil de gestão inspirado em Dale Carnegie, autor de “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (editora Nacional), Buffett ensina, por exemplo, que a crítica não gera nada de bom, apenas auto-defesa, ressentimento e indisposição.
Uma das soluções para motivar funcionários e diretores, segundo ele, é compreender o contexto em que ocorreu o erro. A partir daí, o gestor precisa ter habilidade para “elogiar a pessoa e criticar a categoria”, citando nomes na hora de enaltecer e generalizando quando for preciso dar o puxão de orelha. Outro ensinamento do investidor é a importância de entender que, para fazer a empresa crescer, é preciso delegar autoridade até o ponto de abdicar.
Mary Buffett, ex-nora do Oráculo de Omaha, analisou o seu estilo de administração no livro “Faça como Warren Buffett” (editora Lua de Papel). A obra mostra que há muito mais a aprender com Buffett do que apenas multiplicar dinheiro (não que isso seja ruim). Como todo administrador, Buffett também precisa se preocupar com a descoberta de líderes, a escolha das melhores empresas para gerir, as regras para delegar poder e como motivar pessoas. Em entrevista a EXAME.com, Mary Buffett, fala um pouco mais sobre o lado executivo de Buffett. Leia os principais trechos.
EXAME.com - Como a senhora define o jeito de Buffett de administrar empresas?
Mary Buffett -
Paciência e disciplina. E fazer algo o que você ama. Muitas pessoas – e Warren tem dito isso – estão fazendo isso pelo dinheiro. Esse não é o motivo correto. Se você está fazendo algo que ama, você está mais disposto a se entregar a isso, o que geralmente equivale a ganhar dinheiro.
EXAME.com - É possível desempenhar os papéis de investidor e gestor com a mesma qualidade? Warren Buffett é capaz de fazer isso?
Mary Buffett -
Certamente. Em vários aspectos, o traço gestor de Buffett supera até mesmo seu incrível traço investidor com a Berkshire Hathaway. Além disso, sendo um gênio dos investimentos, Warren Buffett é também um gênio da gestão, com mais de 88 CEOs de diferentes empresas reportando direta ou indiretamente a ele.

EXAME.com - Quais são os atributos essenciais e necessários para um líder, segundo Warren Buffett?
Mary Buffett -
As letras da palavra “leadership” (do inglês, liderança) representam as qualidades que um bom gestor devem ter: lealdade, entusiasmo, atitude, disciplina, exemplo (você tem que dar o bom exemplo), respeito, saber (erudição), honestidade, integridade e orgulho (pride, em inglês).
EXAME.com - Como identificar esses atributos?
Mary Buffett -
Um verdadeiro líder segue a batida de sua própria bateria, enquanto um burocrata se curva à percepção dos desejos dos outros. Uma outra grande lição: o líder deve estar no controle de seu mundo e assumir a responsabilidade por suas falhas e no processo de aprendizado com seus erros.
EXAME.com - Há um perfil ideal de funcionário, na opinião de Buffett?
Mary Buffett -
Warren acredita que não fazer o que ama em nome da ganância é uma gestão muito pobre de nossas vidas. Por isso, trabalhar para o negócio certo pode significar a diferença entre uma carreira de sucesso, com alta remuneração ou uma vida de labuta.
EXAME.com - De acordo com Buffett, o que é essencial para criar uma equipe de vendas eficiente?
Mary Buffett -
Warren aprendeu que os melhores vendedores são aqueles que acreditam em seus produtos. Essa é uma qualidade que Warren procura em seus gerentes – pessoas que creem tanto em seus produtos e no negócio que amam ir trabalhar.
EXAME.com - Buffett recomenda investir dinheiro em uma companhia bem gerenciada. Como ele define uma organização bem guiada?
Mary Buffett -
O primeiro passo para o sucesso é ter, gerir ou trabalhar para o negócio certo com as finanças corretas trabalhando a seu favor. Negócios com finanças superiores trabalhando a seu favor tendem a queimar consideravelmente menos capital do que ganham.

Por que só o dinheiro não basta para reter os melhores talentos

Premiar o cumprimento das metas com bônus é uma parte importante, mas bons executivos querem mais, diz consultor

Luciana Carvalho e Márcio Juliboni, de
São Paulo – Uma velha piada do mundo corporativo afirma que, se trabalhar fosse bom, ninguém cobraria por isso – todos trabalhariam de graça. É claro que o dinheiro é uma parte importante do reconhecimento de qualquer executivo pelo seu empenho e seus resultados.

Mas há uma parcela de satisfação que vem de outros fatores – e eles podem ser tão decisivos para reter os melhores talentos quanto um salário alto ou um bônus polpudo no fim do ano. “A empresa precisa engajar os profissionais em projetos que façam sentido e pelos quais eles queiram estar lá”, afirma o presidente da Empreenda Consultoria, César Souza.

Essa “remuneração intangível” é tão valorizada pelos mais talentosos quanto o dinheiro que cai na conta todo mês. Um desses bônus invisíveis é o espaço que o executivo tem para se desenvolver. “As empresas não podem ser apenas as melhores para trabalhar, mas também as melhores para crescer profissionalmente”, diz.

Esse é o caso do Google. Nos últimos tempos, muitos jovens talentosos (e outros nem tão jovens) trocaram o gigante de buscas por outras empresas, notadamente o Facebook. Na empresa de Mark Zuckerberg, cerca de 10% dos empregados são egressos do Google – o caso mais recente foi do brasileiro Alexandre Hohagen, que trocou o comando do Google na América Latina pelo projeto de incrementar o Facebook no Brasil.

Mais livre

O espaço para crescer está relacionado também a outro aspecto valorizado pelos bons profissionais: liberdade de ação. Na prática, isso significa ter autonomia para tomar decisões, assumir desafios e dizer o que pensa, mesmo que isso desgoste alguém.

“Vários executivos trocam empresas grandes por menores e aceitam ganhar menos, desde que tenham mais autonomia”, diz Souza. Segundo ele, os melhores funcionários querem se sentir donos do negócio e, por isso, engessar demais sua atuação e impedir que eles participem dos projetos importantes só os afasta da companhia.


No fundo, tudo isso está relacionado à imagem que os executivos têm de seu papel na empresa. Cada vez mais, os mais talentosos querem ver um sentido no seu trabalho – sobretudo os jovens. “Mais do que reter talentos, as empresas precisam engajá-los em algo que os faça querer ficar”, diz Souza.

Líderes

O desafio é ainda maior quando se lembra de que 73% das empresas afirmam que encontrar bons líderes está mais difícil em 2011 do que no ano passado, segundo pesquisa feita pela consultoria em parceria com a companhia de serviços Ticket.
A pesquisa ouviu profissionais de Recursos Humanos. Para 66% deles, suas empresas não possuem líderes suficientes para sustentar a estratégia de crescimento até 2015. Segundo Souza, se não houver uma mudança radical na forma de reter os bons trabalhadores, as empresas continuarão se digladiando por talentos e colocando em risco seu crescimento.